CaminhANTES – JOINVILLE

Coordenação: Anne Elise Rosa Soto (PGAU/UFSC); Simone Schroeder (CECRE/UFBA, UFSC, UNISOCIESC).

Resumo: O minicurso consiste em uma caminhada conduzida pelas arquitetas e urbanistas pela área central histórica de Joinville, seguindo até as Ruas Visconde de Taunay e Rua Valgas Neves (onde há um significativo conjunto de edificações com técnica enxaimel), com percurso e pontos de parada pré-definidos, para um grupo de até vinte pessoas. O objetivo é compreender como se deu a origem da cidade, suas transformações e a relação entre o patrimônio cultural protegido ou não, especialmente o arquitetônico e urbano, e os diferentes atores que vivenciam a cidade no presente. Buscar-se-á, também, identificar o traçado urbano da cidade e suas características, e a diversidade de tipologias arquitetônicas dos diferentes períodos históricos e usos, tais como: arquitetura enxaimel, eclética, art déco, modernista e industrial. Ao longo da caminhada, a partir das percepções do grupo e questionamentos levantados, os conceitos teóricos e as políticas de preservação serão abordados diante dos exemplares e dos depoimentos de moradores ou usuários das edificações. A presente proposta é um projeto piloto, que servirá como referência para caminhadas que o Instituto de Arquitetos do Brasil – IAB Núcleo Joinville planeja realizar com regularidade, como uma ação de educação patrimonial e divulgação do patrimônio joinvilense a estudantes, moradores ou turistas interessados, inspirada em pelo menos duas ações que já ocorrem no Brasil e em outros países: “Caminhada Jane Jacobs (Jane Jacobs Walk)” e “Passeios de Arquitetura” do IAB-SP.


À MARGEM DO PATRIMÔNIO CULTURAL: A PRESERVAÇÃO DOS ARQUIVOS E DO PATRIMÔNIO NATURAL NA POLÍTICA NACIONAL DE PRESERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO MATERIAL

Coordenação: Talita dos Santos Molina (IFSP); Felipe Bueno Crispim (UNICAMP).

Local: Bloco C – Sala 311

Resumo: O minicurso propõe uma reflexão sobre a salvaguarda dos bens culturais de natureza material ainda pouco contemplados pelas ações de preservação desenvolvidas pelos órgãos de patrimônio no Brasil como são os casos do patrimônio arquivístico ou documental e do patrimônio natural, que embora presentes no Decreto Lei 25 de 1937 como passiveis de tombamento, possuem pouca expressividade no conjunto dos bens tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, realidade que também se verifica nos órgãos de preservação nos estados e municípios. Pretende-se partir, nesse sentido, da análise dos conceitos e práticas operacionais do campo da preservação como tombamento, inventário, valoração, declaração de lugar de memória e paisagem cultural, tomando por base a atual Política Nacional de Patrimônio Cultural Material – PNPCM instituída pela portaria 375 de 19 de setembro de 2019 que define o patrimônio cultural material como sendo “os bens tangíveis, móveis ou imóveis, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira” sem no entanto fazer referência aos conjuntos documentais, arquivos públicos e privados assim como as múltiplas dimensões da paisagem e do patrimônio natural, cuja complexidade e historicidade transbordam ao campo do ambiente construído.


PATRIMONIALIZAÇÃO A PARTIR DO PROCESSO DE GESTÃO DE ACERVOS MUSEOLÓGICOS

Coordenação: Andréa Reis da Silveira (UDESC).

Local: Bloco C – Sala 312

Resumo: O processo de patrimonializar objetos e coleções define o intento das instituições museológicas e é chave para as construções narrativas a respeito das memórias sociais. Um processo de patrimonialização que atenda aos diferentes percursos de representação, investigação e produção narrativa nas diferentes temporalidades a que os museus respondem, precisa garantir medidas de gestão do acervo musealizado. A gestão se constitui como vertente institucional de estruturação e compreensão sobre os aspectos técnicos e científicos da Museologia, aplicada as ações decorrentes do acervo, assim, este minicurso tem como objetivo subsidiar e sensibilizar pesquisadores, historiadores, arquivistas, trabalhadores institucionais, e demais interessados no campo museal e da memória social, a respeito da relevância de conhecer os processos da gestão institucional do acervo, que passa por múltiplas etapas complementares e inter relacionadas.

O Curso visa aproximar esses agentes do campo museológico e patrimonial de conhecimentos que contribuam para equacionar desafios e problemas identificados na musealização e na patrimonialização dos objetos e coleções, de forma a atender as diversidades sociais e culturais do tempo presente, quebrando o elitismo e a visão estagnada a respeito da importância das instituições museológicas na formação da consciência histórica dos públicos, atendendo ao que define os termos regulatórios da Lei 11.904/2009, que exige planejamento museológico no trato com os bens culturais confiados as instituições.

Especificamente, o curso preocupa-se em considerar a gestão de acervo museológico pela definição e implantação de planos, projetos e programas (plano museológico) que abordem noções teórico-metodológicas nas práticas de diagnóstico global para aquisição, documentação, conservação, segurança e prevenção de sinistros, com vistas a dar suporte para exibições e procedimentos educativos. Os aportes conceituais serão desenvolvidos a partir de casos reconhecidos no cenário de gestão de acervos museológicos brasileiros e internacionais, pontuados no código de ética profissional e cartas patrimoniais. Ao considerar as coleções museológicas patrimônio coletivo, e que na maior parte dos casos, lidam com recursos públicos, o curso é um investimento na formação e na capacitação dos recursos humanos que se debruçam na produção, seleção, gestão e uso do patrimônio cultural musealizado.


MUSEU, PATRIMÔNIO E INTERAÇÕES DISCIPLINARES

Coordenação: Charles Narloch (UNIRIO)

Local: Bloco C – Sala 313

Resumo: Os processos de musealização e patrimonialização são dependentes de entendimentos prévios, subjetivos e temporais. Por mais que evoquem uma cientificidade, não são neutros, já que ao mito da neutralidade científica (Japiassu) soma-se a percepção de que a ciência vive de sua renovação constante, entre paradigmas vigentes e subsequentes revoluções (Kuhn). Esses conhecimentos específicos – voláteis – são utilizados como critérios de valoração de bens ou objetos (materiais e imateriais). Associados a paradigmas vigentes, tais conhecimentos são apresentados como justificativa à escolha de determinados métodos aplicados a esses processos. Desde que o conhecimento passou a ser associado a entendimentos específicos, a percepção da Realidade tem sido fragmentada por meio de diferentes ciências e campos disciplinares. Por um lado, a especialização tem permitido que diferentes aspectos sejam analisados por distintas ciências, gerando múltiplas e inéditas compreensões. Por outro, há décadas se discute o problema da hiperespecialização nos processos de constituição do conhecimento, em especial quanto à tendência de distanciamento da Realidade, que se apresenta integralmente. Nos processos de musealização e patrimonialização, múltiplas disciplinas e ciências têm sido convocadas para o ensino, o exercício e a comunicação de suas práticas. Como reflexo do fenômeno de especialização das ciências, museus e patrimônios também se especializaram, categorizaram-se e adotaram tipologias. Museus de arte, de ciências, de história, de antropologia, dentre outros, atuam em áreas do patrimônio dito histórico, artístico, arquitetônico, arqueológico, científico, paisagístico, natural. Essa disciplinarização do Museu e do Patrimônio provoca embates, especialmente quando – assim como nas demais ciências cogitam-se hierarquias, em disputas de poder simbólico (Bourdieu). A atuação de especialistas de diferentes ciências e disciplinas, assim como a aplicação de seus métodos específicos, tem motivado teóricos e pesquisadores dessas áreas a afirmar que tanto a Museologia – como campo disciplinar – quanto o Patrimônio – como área de estudo – têm a interdisciplinaridade como sua característica inata. Nesse sentido, o presente minicurso propõe apresentar entendimentos de teóricos do Museu e do Patrimônio a respeito de suas interações disciplinares. A partir destes, pretende refletir sobre o uso indiscriminado dos conceitos de inter, multi, pluri e transdisciplinaridade, considerando a episteme dessas concepções. Ao questionar se há um paradigma interdisciplinar aplicado ao ensino, ao exercício e à comunicação dos museus e do patrimônio, que transcenda a mera intencionalidade ideológica, o minicurso pretende dedicar maior ênfase à noção de transdisciplinaridade e suas principais características (Piaget, Nicolescu, Morin, Lima de Freitas).


GESTÃO DE RISCOS EM MUSEUS

Coordenação: Sandra P. L. de Camargo Guedes (UNIVILLE); Angela Luciane Peyerl (UNIVILLE)

Local: Bloco C – Sala 314

Resumo: A gestão de riscos impõe algumas exigências, a prevenção de riscos tem custos elevados, mas o valor simbólico e o valor venal não são habitualmente estimados na sua globalidade pelas instituições patrimoniais. Assim, no domínio patrimonial muito ainda deve ser feito quando se trata da intervenção em bens culturais móveis ou imóveis em caso de sinistros. A oficina pretende fomentar a discussão em torno da gestão de riscos e segurança de acervos em instituições museológicas, arquivos e bibliotecas. Após os episódios de sinistros ocorridos recentemente no Brasil, vide o caso do Museu Nacional no Rio de Janeiro, este é um tema que não se esgota. Devemos lançar um olhar para as nossas instituições, refletindo sobre a importância da gestão e quais são as medidas necessárias para a salvaguarda dos acervos. As discussões desta oficina estarão pautadas nas normas de segurança e gestão de riscos das principais instituições nacionais, a exemplo do Conarq e Ibram e internacionais como o ICOM e a Historic Royal Palaces Foundation do Reino Unido. Tendo como público alvo profissionais e estudantes das áreas de museus e do patrimônio cultural, pretende-se promover o debate e a experimentação de ações proativas de proteção e salvaguarda do patrimônio cultural brasileiro.